O relatório da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI), intitulado “Riscos Climáticos na Estrutura de Risco”, aponta que os riscos climáticos não são mais apenas externalidades ambientais, mas sim fatores diretos de risco de crédito.
Riscos físicos – desde tempestades repentinas até estresse térmico crônico – estão impactando diretamente os custos operacionais (OpEx) e os investimentos de capital (CapEx).
Algumas da ameaças: inundações costeiras e em áreas interiores; Tempestades e ventos extremos; Incêndios florestais; Subsídência; Estresse térmico e hídrico.
Inundações em áreas interiors; tempestades costeiras ou eventos de precipitação extrema. A combinação do crescimento populacional e da urbanização fez com que a exposição da sociedade a inundações urbanas aumentasse (Swiss Re, 2022).
Tempestades e ventos extremos: O aquecimento provocará tempestades tropicais mais intensas e frequentes, como furacões, ciclones e tufões. No Brasil, alertas de ciclones (extra)tropicais são cada vez mais frequentes.
O estresse térmico pode criar novas necessidades de refrigeração para edifícios, o que aumenta os custos operacionais de ativos imobiliários. Com o aumento das temperaturas globais, espera-se que a energia necessária para o resfriamento de edifícios também aumente.
Subsídência: ocorre quando o solo sob uma propriedade afunda, puxando as fundações da propriedade para baixo e fazendo com que as paredes e os pisos se desloquem – tem o potencial de desestabilizar a estrutura de uma propriedade (Hamilton Fraser, s.d.).
O aumento dos prêmios de seguro e dos custos de reparo está corroendo a Receita Operacional Líquida (ROL), afetando diretamente a capacidade de pagamento da dívida dos mutuários.
O risco de transição está criando uma nova classe de “ativos obsoletos”. À medida que os padrões de eficiência energética se tornam mais rigorosos, os imóveis que não se adaptam enfrentam um “desconto por falta de adequação”.
O mercado está distinguindo entre ativos preparados para o futuro e aqueles que exigirão investimentos significativos em reformas para se manterem em conformidade, com impacto na estabilidade financeira. A avaliação de imóveis está passando por uma reestruturação.
Para os credores, o risco climático não mitigado se traduz em taxas de 𝗟𝗼𝗮𝗻-𝘁𝗼-𝗩𝗮𝗹𝘂𝗲 (𝗟𝗧𝗩) mais altas, à medida que os valores dos ativos diminuem, e em um aumento da 𝗣𝗿𝗼𝗯𝗮𝗯𝗶𝗹𝗶𝘁𝘆 𝗼𝗳 𝗗𝗲𝗳𝗮𝘂𝗹𝘁 (𝗣𝗗), já que os fluxos de caixa dos tomadores de empréstimo são afetados.
Os investidores estão começando a precificar a exposição ao risco físico, afastando capital de regiões e classes de ativos vulneráveis.
A avaliação de riscos climáticos está deixando de ser uma informação “desejável” para se tornar um componente fundamental da subscrição de seguros e da avaliação de ativos.
Como seu portfólio de infraestrutura está contabilizando o custo do risco climático não precificado?