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Análise do Caso NASA: Cultura Organizacional, Viéses Cognitivos e Risco Sistêmico

Em junho de 2024, a NASA lançou primeiro voo de teste de um veículo tripulado para a Estação Espacial Internacional, mas logo após o lançamento foram detectados vazamentos de hélio e mau funcionamento de propulsores durante a tentativa de acoplagem. O que deveria ser uma missão de 8-14 dias foi estendida para 93 dias, com o veículo retornando em setembro de 2024 e os astronautas sendo resgatados apenas em março de 2025. A Investigação identificou uma interação complexa de falhas de hardware, lacunas de qualificação de sistemas, erros de liderança e falhas culturais que criaram condições de risco incompatíveis com os padrões de segurança da NASA. O relatório da NASA expõe falhas fundamentais que transcendem questões técnicas; e oferece entendimento sobre como cultura de gestão de riscos e comportamento individual na tomada de decisão se intersectam para criar condições de risco sistêmico. A Anatomia de uma Falha Sistêmica 1. Normalização de Desvios e Viés de Confirmação: A detecção de vazamentos de hélio e mau funcionamento de propulsores logo após o lançamento deveria ter ativado protocolos rigorosos de segurança. No entanto, a decisão de prosseguir com a missão sugere a operação de dois viéses cognitivos críticos: Viés de Confirmação: Buscar evidências que minimizassem a gravidade dos problemas técnicos. Normalização de Desvios: Aceitar gradualmente condições anômalas como "normais" devido à pressão operacional. 2. Pressão Programática vs. Segurança: O Dilema da Propensão ao Risco O relatório identifica que "objetivos programáticos abrangentes influenciaram decisões de engenharia e operacionais". Esta constatação revela um conflito fundamental na propensão ao risco organizacional: Perfil de Risco Organizacional Comprometido: A necessidade de manter "dois fornecedores capazes" criou uma pressão sistêmica que distorceu a avaliação objetiva de riscos, demonstrando como objetivos estratégicos podem contaminar decisões operacionais críticas. 3. Falhas de Liderança e Cultura de Segurança A investigação aponta "erros de liderança e falhas culturais" como fatores contributivos. Esta combinação sugere: Cultura de Risco Inadequada: Líderes com perfis comportamentais inadequados para gestão de riscos em ambientes críticos podem inadvertidamente criar culturas onde pressões externas superam considerações de segurança. Análise Comportamental: Os Viéses em Ação Viés de Ancoragem: A decisão inicial de prosseguir com a missão, apesar dos problemas detectados, pode ter criado um "ponto de ancoragem" que influenciou todas as decisões subsequentes. Escalada do Compromisso: Com recursos significativos já investidos no programa, a pressão para "fazer funcionar" pode ter superado avaliações objetivas de risco-benefício. Pensamento de Grupo: A necessidade de manter dois fornecedores pode ter criado uma mentalidade de "não podemos falhar", inibindo vozes discordantes essenciais para a segurança. Ilusão de Controle: A crença de que problemas técnicos poderiam ser gerenciados durante a missão pode ter subestimado a complexidade e interconexão dos sistemas espaciais. Correlações com Gestão de Riscos Empresariais 1. Influência de Objetivos Estratégicos: Assim como a NASA, organizações frequentemente enfrentam tensões entre objetivos comerciais e gestão prudente de riscos. A pressão por resultados pode distorcer perfis de propensão ao risco de líderes normalmente cautelosos. 2. Cultura vs. Procedimentos: O caso demonstra que procedimentos técnicos robustos são insuficientes quando a cultura organizacional não suporta sua implementação rigorosa sob pressão. 3. Tomada de Decisão em Cascata: Uma decisão inicial comprometida (continuar a missão) criou um efeito cascata que influenciou todas as decisões subsequentes, ilustrando como viéses cognitivos se amplificam em sistemas complexos. Lições para Gestão de Riscos Organizacionais Necessidade de Análise Comportamental Estruturada: O caso NASA reforça a importância de metodologias que avaliem sistematicamente como perfis comportamentais de lideranças respondem à pressão e como culturas organizacionais podem distorcer a percepção de riscos. Sistemas de Contrabalanceamento: Organizações de alto risco necessitam sistemas que identifiquem e neutralizem viéses cognitivos, especialmente quando objetivos estratégicos criam pressões que podem comprometer a segurança. Monitoramento Cultural Contínuo: A análise da propensão ao risco deve incluir avaliação contínua de como pressões externas (comerciais, programáticas, competitivas) influenciam decisões operacionais críticas. Conclusão: A Interconexão Fatal As Conclusões: O caso da NASA ilustra como hardware, liderança e cultura se intersectam para criar condições de risco sistêmico. Demonstra como pressões estratégicas podem comprometer decisões técnicas críticas, evidenciando falhas sistêmicas que vão além de questões puramente técnicas. A investigação expôs como vulnerabilidades na cultura organizacional e nos processos decisórios, destacando a necessidade de separação rigorosa entre objetivos programáticos e avaliações de segurança em operações podem afetar as organizações. A falha não foi apenas técnica ou apenas cultural - foi o resultado de uma interação complexa entre sistemas técnicos vulneráveis, líderes sob pressão programática e uma cultura que permitiu que objetivos estratégicos influenciassem decisões de segurança. Para organizações em setores de alto risco, este caso serve como lembrete crucial: a gestão eficaz de riscos requer não apenas sistemas técnicos robustos, mas também análise comportamental estruturada que identifique e mitigue como pressões organizacionais podem distorcer a tomada de decisão crítica. A pergunta fundamental permanece: Como organizações podem agir para que objetivos estratégicos não comprometam decisões de segurança críticas? #GestãoDeRiscos #CulturaOrganizacional #SegurançaOperacional #TomadaDeDecisão #AnaliseComportamental #NASA #RiskManagement

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Eventos Catastróficos e Lucro Cessante

A fábrica de motores de uma grande montadora foi destruída por forte temporal em Set 2025; e a informações da empresa apontam mais dois anos para ser reconstruída. Enquanto isso, uma parte dos motores começou a ser fabricada num galpão alugado para proteger as máquinas, principalmente as de alta precisão, que fatalmente seriam danificadas caso continuassem expostas ao relento. Como consequência da interrupção no fornecimento de motores, as linhas de produção de veículos ficaram paralisadas entre 50 e 90 dias, dependendo do modelo. A partir de então, começaram a ser abastecidas por motores fabricados por três fábricas em outros países. O desastre também interrompeu a exportação de motores para uma fábrica nos Estados Unidos; e mais uma vez o fornecimento passou a ser suprido por unidade do grupo em outro país. De forma honrosa e estratégica, a matriz se encarregou de direcionar a compra de peças produzidas pelos fornecedores do Brasil para fábricas instaladas em outros países. O episódio ilustra os desafios de gerenciar riscos associados a eventos catastróficos; e outros importantes aspectos: - O Risco relativo ao elemento “TEMPO” é quantificável e varia diretamente com o período necessário para restaurar as instalações danificadas e operações à sua condição normal. - Habilidade e capacidade de utilizar instalações equivalentes ou centros de distribuição podem ser cruciais para atenuar significativamente as perdas por interrupção de negócios. - Aumento de Custo de Produção para evitar ou reduzir a perda de faturamento e volume de negócios. Enquanto encargos fixos e despesas continuam durante a interrupção. - Identificar e avaliar a capacidade de substituir ou reproduzir equipamentos-chave que criam "gargalos" no processo produção e fluxo de trabalho. - Linhas de produção com maiores margens de contribuição, que dependem de matérias-primas ou componentes de uma fonte única ou limitada podem criar o potencial para grandes perdas por lucro cessante. Em resumo, a sobrevivência de uma organização diante de evento catastrófico pode estar apoiada na correta estruturação de programas de gestão de emergência, contingência e crises; além da modelagem e dimensionamento dos instrumentos de proteções financeiras para suportar Interrupção de Negócios, para além dos danos materiais diretos.

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Gargalos de infraestrutura e Custo Logístico no Brasil

Os custos logísticos no Brasil atingiram R$ 1,96 trilhão,15,5% PIB 2025, contra 15,6% em 2024 (ILOS). Uma alta considerável vs 10,4% em 2014. Ainda que consideremos o aumento da demanda logística na retomada das cadeias globais em 2022. Para além do aumento da produção, aspectos estruturais e econômicos, acrescente-se o déficit de infraestrutura para escoamento e armazenagem da produção, incluindo gargalos para integrar os modais rodoviários com ferroviário e o aquaviário. Parcerias Público Privadas e concessões rodoviárias contribuem para melhorar o cenário, mas o Brasil tem cerca de 1,7 milhões de quilômetros de estrada e cerca de 220 mil quilômetros são pavimentados. A fragmentação do planejamento logístico, aliada ao uso limitado de ferramentas analíticas e de simulação, reduz a eficiência sistêmica e amplia os custos indiretos ao longo de toda a cadeia.  A eficiência da cadeia produtiva requer a integração de melhorias na malha rodoviária, expansão ferroviária e otimização dos processos portuários. A redução das perdas físicas e monetárias, amplificadas por gargalos estruturais, demanda planejamento, modernização de ativos e protocolos de gestão que aumentem a previsibilidade e reduzam os custos operacionais ao longo de toda a cadeia de suprimentos. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Plano Nacional de Logística (PNL) sobre distribuição de carga transportada no Brasil: 62% rodoviário. Ferroviário 19%. Aquaviário 15% (hidrovias e cabotagem). Dutoviário (gás e petróleo) 4,1%.

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Viéses Cognitivos e Heurísticas: Implicações para a Gestão de Riscos

"Os vieses cognitivos impactam significativamente a gestão de riscos, criando desvios sistemáticos da racionalidade que distorcem a forma como os indivíduos percebem, avaliam e respondem às ameaças. De acordo com as fontes, esses atalhos mentais podem levar a decisões subótimas, à falta de preparo para emergências e a uma compreensão incompleta da realidade." Vieses cognitivos: impacto no risco e resiliência (1) Pensamento Rápido: Automático, Intuitivo, Emocional, Sem Esforço. Risco: Propenso a erros impulsivos e vieses. (2) Pensamento Lento: Deliberado, Analítico, Lógico, Exige Muitos Recursos. Risco: Mentalmente desgastante; lento para ser implementado em crises. O Paradoxo: Os profissionais acreditam que operam no Sistema 2, mas sob o estresse de um incidente de segurança, o cérebro frequentemente retorna ao Sistema 1. A resiliência eficaz requer aprendizado de duplo ciclo; reescrever o código-fonte da organização em vez de apenas corrigir bugs. (1) Armadilhas da Primeira Impressão: Ancoragem e Enquadramento. Como os dados iniciais corrompem a análise. a) Viés de Ancoragem: Confiar demais na primeira informação recebida. Risco: Uma avaliação inicial de baixa ameaça dificulta a escalada dos protocolos de resposta posteriormente. b) Efeito de Contraste: Perceber uma ameaça como "menor" simplesmente porque ela é comparada a uma catástrofe "grande" recente. (2) A Câmara de Eco: Confirmação e o Efeito Bumerangue a) Viés de Confirmação: “Buscar evidências que apoiem crenças preexistentes, descartando dados contraditórios.” b) Efeito Bumerangue: “Quando evidências contraditórias, na verdade, fortalecem a crença original.” c) Reflexo de Semmelweis: “A rejeição automática de novas evidências porque elas contradizem paradigmas estabelecidos.” d) Realismo Ingênuo: “A crença de que minha percepção é a verdade objetiva e que qualquer pessoa que discorde é irracional.” (3) A Armadilha do “Não Vai Acontecer”: Normalidade e Otimismo. Subestimar ameaças graves devido à recusa em acreditar que elas possam nos atingir. a) Viés da Normalidade: A recusa em se preparar para um desastre que nunca aconteceu antes. b) Ilusão de Controle: Superestimar nossa influência sobre eventos aleatórios ou externos. c) Viés do Otimismo: Subestimar a probabilidade de um evento negativo acontecer conosco. d) Escalada do Compromisso (Custo Irrecuperável): Continuar com uma estratégia de segurança falha porque os recursos já foram investidos. (4) Contágio Social: Dinâmica de Grupo e Conformidade. Como estar em um grupo prejudica o julgamento individual. a) Pensamento de Grupo: A deterioração da eficiência mental e do julgamento moral resultante das pressões do grupo. b) Efeito do Falso Consenso: Superestimar o quanto os outros compartilham nossas crenças ("Todos acham que esta atualização de segurança é suficiente"). c) Viés de Autoridade: Atribuir precisão a uma opinião simplesmente porque ela vem de uma figura sênior. d) Efeito Manada: Adotar uma crença porque "todo mundo está fazendo isso". (5) Avaliação de Si Mesmo: Confiança vs. Competência: Como medimos nossas próprias habilidades e as distorções cognitivas que surgem. a) Efeito Dunning-Kruger: A tendência de indivíduos inexperientes superestimarem suas habilidades, enquanto especialistas as subestimam. b) Ponto Cego de Viés: A capacidade de identificar vieses nos outros enquanto se acredita ser objetivo (O “Viés dos Vieses”). c) Síndrome do Impostor: Pessoas de alto desempenho duvidando de suas conquistas. A metodologia de Análise de Comportamento e Propensão ao Risco na Tomada de Decisão permite: (a) Identificar padrões de viéses em perfis de liderança. (b) Quantificar o impacto na tomada de decisão estratégica. (c) Desenvolver sistemas e planos de desenvolvimento de contrabalanceamento.  (d) Monitorar desvios sistemáticos em tempo real. Aplicação Prática: Organizações que implementam análise comportamental estruturada relatam: 40% menos decisões impulsivas em crises. Maior diversidade cognitiva em comitês estratégicos Redução significativa de "escalada de compromisso" em projetos falhos. Não podemos eliminar o viés cognitivo. Ele faz parte do sistema operacional humano. Mas podemos construir sistemas para contê-lo. "Suas suposições são as suas janelas para o mundo. Limpe-as de vez em quando, ou a luz não entrará."  Isaac Asimov usava essa metáfora para destacar a importância do pensamento crítico e da flexibilidade mental. Ele defendia que, se não questionarmos nossas próprias crenças e preconceitos (as "janelas"), acabamos perdendo a capacidade de enxergar a realidade de forma clara. Heurísticas são "atalhos mentais" ou regras práticas e intuitivas que o cérebro humano utiliza para simplificar a tomada de decisões e resolver problemas complexos rapidamente, especialmente sob incerteza. Embora eficazes para agilizar o dia a dia, essas estratégias podem levar a vieses cognitivos e erros sistemáticos de julgamento. O "Reflexo de Semmelweis" (ou efeito Semmelweis) é uma metáfora para a tendência reflexa e automática de rejeitar novas evidências ou conhecimentos que contradizem normas, crenças ou paradigmas estabelecidos. Originou-se da resistência enfrentada por Ignaz Semmelweis no século XIX, quando provou que a lavagem das mãos reduzia a mortalidade, mas foi ignorado e ridicularizado pela comunidade médica da época.  O efeito Dunning-Kruger é um viés cognitivo onde pessoas com pouco conhecimento ou habilidade em uma área superestimam sua própria competência, pois sua ignorância as impede de reconhecer sua própria incompetência. Proposto em 1999 por David Dunning e Justin Kruger, o conceito explica por que iniciantes muitas vezes parecem mais confiantes que especialistas. 

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Liderança no Agronegócio e os Desafios da Infraestrutura Logística

O Brasil consolidou sua posição no mercado global de grãos, destacando-se na produção de soja, milho, algodão, café, açúcar, suco de laranja, carne bovina e frango. Esse resultado foi alcançado através do aumento da produtividade e adoção de tecnologias avançadas. No entanto, a liderança produtiva convive com desafios estruturais que impactam diretamente a competitividade do setor. A situação recente em Miritituba exemplifica essa realidade: o congestionamento nos arredores do porto elevou o custo do frete de soja do Mato Grosso de R$ 260 para R$ 330 por tonelada, com filas de 3 a 4 dias para embarque. O bloqueio parcial das estações de transbordo e terminais privados impediu o embarque de 70 mil toneladas de grãos por dia, cerca US$ 30 milhões em produtos. A combinação de infraestrutura inadequada com falhas de gestão operacional transformou a rodovia federal em um estacionamento, isolando o distrito. A reação em cadeia tem potencial para agravar o custo do transporte marítimo com multa pelo atraso no carregamento (demurrage). Na seara contratual, os desdobramentos se estendem por mais tempo.   Infraestrutura: Pesquisa CNT de Rodovias 2025 aponta melhoria geral da malha viária, com 38% dos 114 mil km em condições adequadas (33% em 2024). Contudo, os 896 pontos críticos na Região Norte ainda geram aumento de 43,1% no custo operacional do transporte. Os números evidenciam o impacto econômico: a má qualidade do pavimento resulta em custos adicionais de R$ 7,2 bilhões anuais em consumo de diesel, enquanto acidentes geraram prejuízos de R$ 16,79 bilhões em 2024. Perdas na agro-logística referem-se às atividades de transporte e armazenagem desde a etapa subsequente à colheita até a entrega no destino final e antes do processamento ou consumo. Consideram-se as Perdas Físicas (Quantitativas e Qualitativas), Perdas Monetárias (Diretas e Indiretas) em função de diferentes aspectos:  Armazenagem, Qualidade das rodovias, Modalidade de transporte. Canal de comercialização (Exportação ou Mercado Interno), dentre outras. O episódio evidencia que a sustentabilidade da liderança brasileira no agronegócio depende de investimentos coordenados em infraestrutura de transporte e modernização dos sistemas de gestão logística. A eficiência da cadeia produtiva, desde a colheita até o consumo final, requer a integração de melhorias na malha rodoviária, expansão ferroviária e otimização dos processos portuários. A redução das perdas físicas e monetárias, amplificadas por gargalos estruturais, demanda planejamento, modernização de ativos e protocolos de gestão que aumentem a previsibilidade e reduzam os custos operacionais ao longo de toda a cadeia de suprimentos.

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Eventos Climáticos Extremos e Gestão de Riscos Financeiros Corporativos

Os Eventos Climáticos Estremos consolidaram-se como ameaça persistente aos valores de ativos e operações empresariais. Em 2025, furacões e incêndios florestais causaram bilhões em perdas seguradas, demonstrando que o risco climático transcendeu choques pontuais para tornar-se questão estrutural de balanço patrimonial. No Brasil, De acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira de Abril de 2025, publicado pelo Banco Central (BC), mais que dobrou o número de instituições financeiras (IFs) que relataram impactos da materialização de riscos climáticos em seus negócios ao longo de 2024. Levantamento mostra que os principais canais de transmissão dos riscos climáticos são impactos em ativos, produção e renda, o que afeta crédito e inadimplência. Vulnerabilidades Críticas: infraestruturas essenciais, armazéns, pontes e redes de transporte são frequentemente afetados, gerando interrupções em cadeias de suprimento e sistemas financeiros inteiros. Danos a ativos podem potencialmente contribuir para desvalorização, enquanto disrupções operacionais reduzem eficiência e elevam custos. O cenário indica que organizações evoluirão da mera identificação de riscos para integração estratégica em decisões centrais - desde seleção de localização e gestão de cadeias de suprimento até alocação de capital e precificação de crédito. O setor bancário europeu intensifica a incorporação de riscos climáticos em práticas de empréstimo, alinhado às diretrizes EBA e Basel III, com supervisão mais rigorosa sobre processos creditícios e avaliação de garantias. Gestores de ativos priorizam adaptação climática: Analises climáticas avançadas, incluindo modelagem em nível de ativo, simulações em tempo real e sensores, tornam-se vantagem competitiva para resiliência operacional e gestão proativa de riscos. A adaptação deixou de ser uma medida defensiva e tornou-se fundamental para a competitividade, a resiliência e o crescimento. Será que a adaptação climática está sendo levada suficientemente a sério nas decisões de investimento e financiamento atuais?

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World Economic Forum (WEF) 2026: Reflexos dos riscos geopolíticos e incertezas do cenário mundial atual.

O sistema multilateral está sob pressão; e o confronto geoeconômico aparece na lista de riscos prioritários para 2026-2028. Um cenário multipolar onde o confronto substitui a colaboração e a confiança. Tensões geopolíticas, fragmentação da economia global, aceleração das mudanças tecnológicas a longo prazo estão moldando a agenda internacional. O alto nível de incerteza amplia as perspectivas de riscos globais em 2026. Alguns pontos de atenção: 1. Geopolítica: Multipolaridade e “Ordenamento mundial fragmentado” no centro do debate- confrontação geoeconômica, sanções, tarifas e restrições tecnológicas como instrumentos de poder são riscos econômicos e estratégicos globais no curto prazo. 2. Riscos Geoeconômicos: Incerteza econômica como reflexo das tensões geopolíticas. O confronto econômico é visto como o risco para desencadear crises. Embora a economia mundial ainda mostre resiliência, a volatilidade e os riscos advindos de disputas políticas e geoeconômicas aumentam incertezas para investimentos, comércio e cadeias globais. (The Guardian) 3. Tecnologia: acelerado desenvolvimento da inteligência artificial e da digitalização estão impulsionando oportunidades, mas aumentaram a complexidade dos riscos, especialmente em termos de cibersegurança e manipulação da informação. (Fortune). Tecnologia e infraestrutura digital se tornaram componentes estratégicos de poder, diretamente afetados por rivalidades entre grandes potências e tensões internacionais. 4. Sociedade: Polarização social e desinformação como ameaças cruciais à coesão social e política global tornam-se fatores que se agravam em contextos de competição geopolítica. Conclusão: WEF 2026 refletiu um cenário global em transição marcado por incertezas, riscos emergentes e convencionais. O cenário em que a geopolítica contemporânea é influenciada por interdependências frágeis, competição econômica estratégica e desafios tecnológicos - um retrato das complexidades do mundo atual. Construir arquiteturas decisórias que garantam resultados previsíveis, transformando a incógnita decisória, Propensão, Tolerância e Apetite ao Risco assume ainda maior relevância e ativo estratégico. Como isso afetará mercados e negócios em cada empresa, país e região? Deixe seu comentário.

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Riscos Climáticos & Setor Imobiliário (Real State)

O relatório da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI), intitulado "Riscos Climáticos na Estrutura de Risco", aponta que os riscos climáticos não são mais apenas externalidades ambientais, mas sim fatores diretos de risco de crédito. Riscos físicos – desde tempestades repentinas até estresse térmico crônico – estão impactando diretamente os custos operacionais (OpEx) e os investimentos de capital (CapEx). Algumas da ameaças: inundações costeiras e em áreas interiores; Tempestades e ventos extremos; Incêndios florestais; Subsídência; Estresse térmico e hídrico. Inundações em áreas interiors; tempestades costeiras ou eventos de precipitação extrema. A combinação do crescimento populacional e da urbanização fez com que a exposição da sociedade a inundações urbanas aumentasse (Swiss Re, 2022). Tempestades e ventos extremos: O aquecimento provocará tempestades tropicais mais intensas e frequentes, como furacões, ciclones e tufões. No Brasil, alertas de ciclones (extra)tropicais são cada vez mais frequentes. O estresse térmico pode criar novas necessidades de refrigeração para edifícios, o que aumenta os custos operacionais de ativos imobiliários. Com o aumento das temperaturas globais, espera-se que a energia necessária para o resfriamento de edifícios também aumente. Subsídência: ocorre quando o solo sob uma propriedade afunda, puxando as fundações da propriedade para baixo e fazendo com que as paredes e os pisos se desloquem - tem o potencial de desestabilizar a estrutura de uma propriedade (Hamilton Fraser, s.d.). O aumento dos prêmios de seguro e dos custos de reparo está corroendo a Receita Operacional Líquida (ROL), afetando diretamente a capacidade de pagamento da dívida dos mutuários. O risco de transição está criando uma nova classe de "ativos obsoletos". À medida que os padrões de eficiência energética se tornam mais rigorosos, os imóveis que não se adaptam enfrentam um "desconto por falta de adequação". O mercado está distinguindo entre ativos preparados para o futuro e aqueles que exigirão investimentos significativos em reformas para se manterem em conformidade, com impacto na estabilidade financeira. A avaliação de imóveis está passando por uma reestruturação. Para os credores, o risco climático não mitigado se traduz em taxas de 𝗟𝗼𝗮𝗻-𝘁𝗼-𝗩𝗮𝗹𝘂𝗲 (𝗟𝗧𝗩) mais altas, à medida que os valores dos ativos diminuem, e em um aumento da 𝗣𝗿𝗼𝗯𝗮𝗯𝗶𝗹𝗶𝘁𝘆 𝗼𝗳 𝗗𝗲𝗳𝗮𝘂𝗹𝘁 (𝗣𝗗), já que os fluxos de caixa dos tomadores de empréstimo são afetados. Os investidores estão começando a precificar a exposição ao risco físico, afastando capital de regiões e classes de ativos vulneráveis. A avaliação de riscos climáticos está deixando de ser uma informação "desejável" para se tornar um componente fundamental da subscrição de seguros e da avaliação de ativos. Como seu portfólio de infraestrutura está contabilizando o custo do risco climático não precificado?

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Eventos Climáticos Extremos e Extinção de Contratos Privados e Concessões Públicos.

Investimentos privados em infraestrutura seguem representando a maior parte das obras no país; enquanto contratos antigos, frequentemente, não consideram iniciativas para mapeamento de exposições e mitigação de vulnerabilidades. A responsabilização relacionada a eventos climáticos extremos e negociações para extinção de contrato (anulação, rescisão ou caducidade) demoraram e não são simples – tanto entre privados como em parceria público-privado. Em 2025, o investimento privado será R$ 235 bilhões (+6%). Entre 2026 e 2030, licitações de infraestrutura poderão gerar R$ 400,8 bilhões de obras. (+7,6% em relação a 2025 a 2029). (Abdib). O cenário atual exige que esse tipo de contrato seja redesenhado.A tradicional classificação de eventos climáticos como "força maior" encontra-se em profunda transformação no cenário empresarial contemporâneo. Historicamente, fenômenos meteorológicos eram considerados imprevisíveis e inevitáveis, isentando organizações de responsabilidades contratuais. Contudo, a crescente frequência e intensidade desses eventos exige uma reavaliação fundamental dessa premissa. A migração da categoria de "imprevisíveis" para "prováveis", altera substancialmente a dinâmica de responsabilidade; impondo às organizações o dever de antecipação e preparação, transformando a gestão climática em componente estratégico da governança empresarial. Elementos-chave dessa transformação: Avanços em modelagem meteorológica, climatológica, disponibilidade crescente de dados históricos e preditivos, desenvolvimento de tecnologias de monitoramento em tempo real; e evolução da jurisprudência sobre responsabilidade empresarial. O mapeamento eficaz de riscos climáticos transcende a simples identificação de ameaças, constituindo ferramenta fundamental para compreender correlações e interdependências entre diferentes exposições. A análise deve contemplar: (1) Correlação Temporal de eventos que tendem a ocorrer simultaneamente; e múltiplas exposições ativadas em período concentrado. (2) Interdependência Geográfica com efeito cascata entre regiões conectadas; e disrupção de cadeias de suprimento globais. (3) Amplificação Setorial com propagação entre setores econômicos interligados; e contágio sistêmico de perdas financeiras Implicações para a Gestão Empresarial: A distinção entre eventos climáticos e força maior demanda abordagem integrada que reconheça a previsibilidade crescente dos fenômenos meteorológicos. Organizações devem desenvolver capacidades para Análise de Cenários Dinâmicos; Estratégias de Mitigação Proativa e Governança de Riscos Climáticos. Em um mundo onde eventos climáticos extremos se tornam progressivamente previsíveis, a verdadeira força maior reside na capacidade organizacional de se adaptar e se preparar adequadamente.

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Top 10 Global Risks (2020-2025)

Pesquisa da Axa com 3.595 especialistas em gestão de riscos em 57 países, aponta a percepção em relação a exposições de sociedade e empresas; e revela uma realidade inquestionável: vivemos em uma era de riscos sistêmicos e interconectados que exigem uma transformação radical em nossa abordagem de gestão. De conflitos crescentes à fragmentação geopolítica, o cenário de riscos globais parece muito diferente do que era há cinco anos. Algumas anotações: - Mudanças climáticas figuram como o principal risco global em 2025, posição que ocupa há quatro anos. Por suas dinâmicas intrínsecas, essas não operam isoladamente - elas amplificam tensões geopolíticas, aceleram pressões demográficas e potencial para deslocar pessoas, diminuir a produção agrícola em diversas regiões do mundo, impactar produção de energia e sistemas de saúde são alguns de tantos outros desdobramentos. - Eventos climáticos extremos: À medida que a natureza dos eventos, frequência e intensidade se aceleram, amplia-se o risco de danos à infraestrutura e à propriedade. Inclusive no Brasil!! - Instabilidade geopolítica aparece em seguida, já que o número de mortes em conflitos globais atingiu seu nível mais alto em 25 anos em 2024. - A demografia entrou para a lista em 2025, pela primeira vez. Além disso, especialistas na Itália, Japão e Alemanha a classificaram como risco relevante, visto que o envelhecimento da população impõe uma pressão crescente sobre as finanças públicas. - Avanços em inteligência artificial estão apresentando novas oportunidades e riscos, abrangendo desde a segurança nacional até o mercado de trabalho. Tecnicamente, há uma distinção fundamental entre categorias de risco e eventos de risco específicos que merece esclarecimento - categorias macro de risco refletem domínios de exposição onde eventos específicos podem se materializar. Funcionam como um radar para identificar áreas de concentração de ameaças. Servem para orientar a identificação de múltiplos eventos de risco específicos, e priorização em níveis organizacional e sistêmico. Um exemplo simples: na Categoria “Mudanças climáticas”; “Eventos específicos” podem incluir elevação do nível do mar afetando operações portuárias; secas prolongadas impactando cadeias de suprimento; redução de X% na produtividade agrícola de uma região, tempestades extremas danificando infraestrutura crítica. A aplicabilidade prática surge a partir da decomposição desses vetores. Na prática, utilizamos essas categorias para desenvolver registros de riscos detalhados em Eventos de risco específicos (o que pode acontecer), com probabilidade, impacto, tolerância, #Vulnerabilidades (!!!!), Indicadores de monitoramento (sinais de alerta precoce) etc; e planos de ação específicos para as organizações. O valor da pesquisa reside em alertar sociedade e organizações a refletirem sobre a importância da análise detalhada de eventos específicos que realmente importam para seus contextos operacionais. A correlação e interdependência entre esses vetores criam um efeito cascata que pode rapidamente transformar vulnerabilidades locais em crises sistêmicas globais; e exigem uma transformação radical em nossa abordagem de gestão.   Para organizações e governos, a mensagem é clara: a gestão de riscos não pode mais ser compartimentalizada. É necessário implementar frameworks integrados que reconheçam essas interconexões, invistam em resiliência adaptativa e construam capacidades de resposta que sejam tão dinâmicas quanto os próprios riscos que enfrentamos. O futuro pertence àqueles que conseguirem enxergar além dos silos tradicionais e abraçar uma visão holística da gestão de riscos empresariais. O tempo para mudanças incrementais acabou - a era da transformação sistêmica começou.

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Cadeia de Suprimento e Riscos Geopolíticos

24 Out 2025 Durante a pandemia ocorreram interrupções na produção por falta de chips; e dessa vez um problema geopolítico, entre China e Holanda ameaça provocar uma nova escassez e o risco de interrupção da cadeia de suprimento. Há poucos dias, o governo holandês assumiu o controle da subsidiária local de um grupo chinês de produção de semicondutores. Em resposta, a China impôs restrições à exportação de componentes eletrônicos essenciais para módulos de controle, sistemas de injeção e produtos de alta tecnologia aplicados em veículos leves, comerciais e industriais. O setor aponta o risco de eventual paralisação e cumprimento de contratos de exportação; defende um programa governamental que favoreça a produção local de semicondutores. A volatilidade das relações internacionais, políticas comerciais e conflitos regionais geram um ambiente de negócios imprevisível, impactando cadeias de suprimentos, e a viabilidade de operações em certas geografias. Por hora, a interdependência econômica (um dos aspectos da globalização) continuará a caracterizar as relações internacionais. Entretanto, medidas para aumentar a resiliência de estratégias corporativas e geopolíticas ganharam mais relevância. Quais megatendências terão impacto na transformação dos negócios? De que forma eles afetam as estratégias de negócio? Quais são os Riscos Emergentes desse novo ambiente? Como as organizações estão encarando esses desafios? A capacidade de antecipar e mitigar os efeitos dessas incertezas torna-se um diferencial competitivo.

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Dinâmica do cenário global e a formulação de estratégias corporativas resilientes

A dinâmica do cenário global exige uma análise contínua e aprofundada para a formulação de estratégias corporativas resilientes. O relatório "Risk in Focus 2026 Global Summary" (4.000 executivos, 131 países) oferece alguns insights. A compreensão dessas tendências contribui para formar entendimento das ameaças e vulnerabilidade de cada organização. 1) Cibersegurança persiste como prioridade em todas as regiões e na maioria dos setores. Regiões como América do Norte e a Europa impulsionam essa média global, com classificações acima de 80%. A ubiquidade das ameaças cibernéticas, a crescente digitalização e pela sofisticação dos ataques impõem atenção contínua, defesas robustas, governança de dados e capacitação de equipes. A proteção dos ativos digitais e da infraestrutura crítica não é apenas uma questão de conformidade, mas um pilar da continuidade dos negócios. 2) Disrupção Digital (e inteligência artificial e tecnologias emergentes) foi o segundo risco que mais rapidamente escalou (aumento de 9 pontos percentuais). Maiores aumentos na América Latina (+17 pontos percentuais) e no Oriente Médio (+12 pontos percentuais). O resultado pode sugerir a dualidade da inovação tecnológica e oportunidades sem precedentes; enquanto também introduz novas vulnerabilidades e complexidades operacionais. A velocidade da mudança tecnológica desafia as estruturas tradicionais de governança e controle, demandando agilidade e expertise especializada. 3) Incerteza Geopolítica/Macroeconômica (+10 pontos percentuais) impulsionado por uma grande mudança na América do Norte (+19 pontos percentuais), acompanhada por aumentos substanciais na América Latina (+8), Europa (+6) e Ásia-Pacífico (+5). A volatilidade das relações internacionais, as políticas comerciais e os conflitos regionais geram um ambiente de negócios imprevisível, impactando cadeias de suprimentos, mercados financeiros e a própria viabilidade de operações em certas geografias. A capacidade de antecipar e mitigar os efeitos dessas incertezas torna-se um diferencial competitivo. 4) Complexidade da Resiliência dos Negócios: Enquanto Ásia-Pacífico e o Oriente Médio (ambas com 58%) a classificaram como um risco prioritário; a América Latina (35%) e a Europa (39%) registraram classificações mais baixas para a resiliência dos negócios. Esta disparidade sugere que para alguns a resiliência é percebida como resposta intrínseca a riscos complexos, como a incerteza geopolítica, enquanto para outros pode ser vista como uma capacidade a ser desenvolvida ou fortalecida. A variação regional ressalta a importância de uma análise contextualizada. A interconexão entre resiliência e outros riscos primários é evidente, e alerta sobre o óbvio - organização resiliente é aquela que consegue absorver choques e adaptar-se a um ambiente em constante mutação. Cenário da América Latina: a confluência da Disrupção Digital e dos Riscos Geopolíticos é particularmente acentuada. Líderes de auditoria na região indicaram aumento nos níveis de risco para a disrupção digital, impulsionado tanto pelos riscos elevados de cibersegurança decorrentes da IA quanto pelo receio de ficar para trás na implementação de novas tecnologias. Simultaneamente, as classificações de risco para a incerteza geopolítica também aumentaram, com as novas políticas comerciais anunciadas em maio de 2025 e repercussões significativas nas economias nacionais e nas empresas. Reflexões: O Estudo revela um panorama de riscos cada vez mais interconectado e volátil. Incerteza, Riscos e resiliência dos negócios não podem ser gerenciadas em silos. A correlação e a interdependência entre esses fatores exigem uma abordagem integrada da gestão de riscos empresariais. Conselhos e Executivos devem revisar estratégias, aprimorar modelos de análise e investir em capacidades que permitam não apenas reagir, mas antecipar incertezas. Qual a sua perspectiva sobre a evolução desses riscos em seu setor ou região? Compartilhe suas reflexões. #GestaoDeRiscos #Ciberseguranca #DisrupcaoDigital #InteligenciaArtificial #RiscosGeopoliticos #ResilienciaEmpresarial #AuditoriaInterna #ERM #Inovacao

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Gestão de Riscos e Soluções Baseadas na Natureza

Os projetos de soluções baseadas na natureza (SbN), como agroflorestas e infraestruturas verdes urbanas, ampliaram o debate sobre financiamento climático. Especialistas defendem que mecanismos integrados de gestão de riscos e securitização podem destravar recursos e atrair investidores. Entidades do setor apontam que combinar metodologias e experiencia em gestão dos riscos e securitização com garantias de desempenho e contratos pode criar estrutura que aumente a confiança dos investidores e a ampliação do fluxo de capital.  “Em setores consolidados, como energia renovável, há segurança jurídica e previsibilidade, mas em soluções baseadas na natureza ou em outros negócios de biodiversidade ainda não se mapeou todos os riscos e o dinheiro fica reticente.” Mecanismos de transferência de Riscos como ‘first loss’, em que há tranches de risco e um investidor, como um banco de desenvolvimento, assume a perda inicial em caso de prejuízo são apontados como um colchão de segurança para os demais investidores. Na visão de especialistas, os desafios da securitização incluem estabelecer um inventário de exposições, análise de cenários de perdas e mecanismos de gestão de riscos para definir o valor do prêmio; e ainda quem paga por ele em projetos de soluções baseadas na natureza. “Quando falamos da recuperação de ecossistemas, como seguro para manguezal ou para barreira de coral, é preciso identificar quem tem interesse. Se você pensa num grande hotel que vai sofrer com a ressaca da maré se a barreira de coral ou o manguezal estiverem devastados, essa organização tem interesse direto na manutenção do ecossistema.” Jéssica Bastos, (Susep). A implementação de metodologias estruturadas de gestão de riscos, fundamentadas em frameworks consolidados, emerge como elemento para destravar o mercado de soluções baseadas na natureza no Brasil. A adoção de abordagens sistemáticas que contemplem identificação abrangente de stakeholders, mapeamento detalhado de exposições através de inventários padronizados, análise quantitativa de cenários de perdas e modelagem de correlações e interdependências entre riscos ambientais, financeiros e operacionais, proporcionará a transparência e previsibilidade necessárias para atrair capital privado. Essas metodologias, quando integradas a mecanismos de transferência de riscos estruturados - como tranches hierarquizadas, seguros paramétricos e garantias de desempenho -, criarão um arcabouço robusto de governança que reduzirá significativamente as incertezas dos investidores. Em tempos de COP30, o tema está em pauta. Estamos prontos? Obs: Soluções baseadas na natureza usam ecossistemas para resolver desafios socioeconômicos e ambientais, como eventos climáticos extremos e segurança hídrica, enquanto geram renda e conservam a biodiversidade.  Risk Veritas, Valor Econômico, 20 Out 2025

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Incêndio em Fardos de Algodão

A produção de algodão na safra 2024/25 deve alcançar 4,08 milhões de toneladas de pluma, enquanto a estimativa para safra 2025/26 é de 4,03 milhões de toneladas, 2,14 milhões de hectares, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para além das incertezas de mercado, desafios de custeio, riscos agrícolas, risco climáticos, dentre outros; o setor é exigido a gerenciar riscos intrínsecos ao produto. Recentemente, outro incêndio de grandes proporções em fardos de algodão em algodoeira no Setor Industrial de Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia. (16 Out 2025). Esse tipo de ocorrência revela que não se trata apenas de ser eficiente, mas como empresas se deparam com os desafios de entender a natureza e abrangência das ameaças que podem afeta-las, ou ainda como controlá-las.  Recuperar-se de um evento catastrófico pode não ser possível. Obs: Cavitamia em Fardos de Algodão ocorre a partir da fermentação resultante da umidade e pela atuação de microrganismos que acaba por elevar a temperatura no interior dos fardos até o ponto de combustão da pluma sem produzir chama. O processo progride até a ignição da superfície do fardo em contato com o oxigênio.

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Cresce o mercado de armazenagem em centros urbanos

Puxado por comércio eletrônico e com forte capilaridade, negócio de “self storage” tem participação relevante de médias empresas. Muitos galpões deram lugar ao serviço de locação de espaços individuais para armazenamento divididos em boxes de 2 m2 até +200 m2. O modelo de negócio original passou atender pequenas e médias empresas que operavam em regiões periféricas e passaram a buscar espaços estratégicos para atender às entregas de última milha. A proximidade com o cliente final reduz prazos e custos de entrega. Em 4 anos o mercado cresceu 49,5% (de 147.770 boxes para 220.901), cerca de R$ 2,3 bilhões por ano (no mundo deve alcançar US$ 64 bilhões em 2026, Mordor Intelligence). O mercado aponta que o modelo pode se expandir para “self storages” em shoppings, supermercados, hotéis, centros comerciais e condomínios residenciais. A grande diversidade de perfis de ocupação e diversidade de produtos com potencial carga combustível e inflamável embute riscos intrinsecamente associados o tipo de ocupação. Eventos severos podem resultar em responsabilização dos operadores e usuários por danos materiais diretos e consequências (lucro cessante), danos a terceiros incluindo intoxicação por fumaça tóxica, danos ambientais, de tantos outros cenários. Empresas contemporâneas enfrentam um labirinto complexo de ameaças interconectadas, e desafios de entender como isso pode afeta-las, como desenvolver capacidades organizacionais para antecipar e mitigar, ou ainda transformá-las em vantagens competitivas e ter acesso a mercados e oportunidades que exigem maturidade. A Gestão de riscos empresarial, não trata apenas de ter autorizações legais para funcionamento, mas também de preservar vida, capital, patrimônio, reputação.   "O mercado de self storage representa uma convergência entre necessidade urbana crescente e oportunidade de negócio escalável. Empresas que investem em gestão proativa de riscos não apenas se protegem – elas criam vantagens competitivas sustentáveis que se traduzem em fidelização de clientes exigentes."

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Incêndio Esteira Transportadora – Estudo de Caso

Análise Crítica dos Riscos de Incêndio em Sistemas de Transporte Industrial e Suas Implicações para a Continuidade de Negócios Introdução A gestão de riscos corporativos transcende a mera proteção de ativos físicos, constituindo-se como elemento fundamental para a sustentabilidade operacional e competitividade empresarial no cenário industrial contemporâneo. O recente sinistro ocorrido em 13 de setembro de 2025, em uma unidade produtiva de achocolatados e derivados de café com capacidade anual de 120 mil toneladas, exemplifica de forma contundente as consequências da inadequada identificação e mitigação de riscos inerentes a sistemas de transporte industrial, particularmente esteiras transportadoras. Este evento, além de representar perdas patrimoniais significativas, evidencia a necessidade de implementação de metodologias estruturadas de gestão de riscos que contemplem não apenas aspectos técnicos de proteção, mas também considerações estratégicas relacionadas à continuidade operacional, preservação de market share e sustentabilidade financeira de longo prazo. Análise Técnica do Cenário de Risco Caracterização do Ambiente Operacional Indústrias alimentícias, particularmente aquelas dedicadas ao processamento de derivados de café e produtos achocolatados, apresentam perfil de risco patrimonial complexo devido à convergência de múltiplos fatores de exposição. A presença de materiais orgânicos finamente divididos, óleos industriais, sistemas de aquecimento e equipamentos de transporte mecânico configura um ambiente propício à ignição e propagação de incêndios. A capacidade produtiva de 120 mil toneladas anuais implica fluxo contínuo de materiais através de sistemas de transporte automatizados, onde esteiras transportadoras desempenham papel crítico na cadeia produtiva. Estas instalações, quando inadequadamente protegidas, representam pontos de vulnerabilidade que podem comprometer a integridade de toda a operação. Identificação de Vetores de Risco Críticos A análise técnica do sinistro revela quatro vetores primários de risco associados a sistemas de esteiras transportadoras: Acúmulo de Resíduos Combustíveis: A deposição progressiva de poeiras orgânicas, resíduos de produtos e óleos de lubrificação cria camadas combustíveis que, em contato com fontes de calor, podem iniciar processos de combustão espontânea ou facilitar a propagação de chamas. Este fenômeno é particularmente crítico em ambientes onde partículas de cacau, café e açúcar se acumulam em áreas de difícil acesso para limpeza regular. Falhas Mecânicas por Travamento de Rolos: O travamento de componentes rotativos gera atrito excessivo, elevando temperaturas locais a níveis críticos. Estudos técnicos demonstram que rolos travados podem atingir temperaturas superiores a 400°C em intervalos de 3 a 5 minutos, temperatura suficiente para ignição de materiais combustíveis próximos. Disfunções por Bloqueio de Correia: Quando ocorre bloqueio da correia enquanto tambores motores continuam operando, o atrito resultante produz aquecimento localizado extremo. Esta condição representa risco imediato de ignição, especialmente em presença de resíduos acumulados. Desalinhamento Operacional: O desalinhamento de correias provoca desgaste irregular e distribuição inadequada de carga, resultando em pontos de aquecimento localizado e comprometimento da integridade estrutural do sistema de transporte. Análise de Impactos Financeiros: Lucros Cessantes e Indisponibilidade Operacional Quantificação de Perdas por Interrupção de Negócios A indisponibilidade prolongada de instalações produtivas representa, frequentemente, o componente mais significativo de perdas financeiras em sinistros industriais. Para uma unidade com capacidade de 120 mil toneladas anuais, a análise de lucros cessantes deve contemplar múltiplas dimensões de impacto econômico que transcendem a simples perda de faturamento. Perda de Receita Bruta: Considerando margem média setorial de R$ 8.500 por tonelada para produtos achocolatados premium, a capacidade produtiva representa receita anual potencial de aproximadamente R$ 1,02 bilhão. A interrupção completa da produção por período de 18 meses – tempo típico para reconstrução e comissionamento de instalações desta magnitude – resultaria em perda bruta de receitas da ordem de R$ 1,53 bilhão. Impacto na Margem Operacional: Análise setorial indica que indústrias alimentícias de grande porte operam com margens EBITDA entre 15% a 25%. Para o caso específico, estimando margem operacional de 20%, a perda de resultado operacional durante período de indisponibilidade alcançaria aproximadamente R$ 306 milhões, valor que representa múltiplo significativo do investimento necessário para implementação de sistemas robustos de proteção. Custos de Oportunidade e Posicionamento Competitivo Perda de Market Share: A indisponibilidade prolongada em mercados oligopolizados como o de achocolatados implica transferência irreversível de participação de mercado para concorrentes. Estudos de casos similares demonstram que organizações submetidas a interrupções superiores a 12 meses experimentam redução permanente de 15% a 30% em sua base de clientes, impacto que se reflete em redução estrutural de receitas mesmo após retomada operacional. Deterioração de Relacionamentos Comerciais: Contratos de fornecimento de longo prazo, particularmente aqueles estabelecidos com grandes redes de varejo e distribuidores, frequentemente incluem cláusulas de penalidade e rescisão automática em casos de interrupção prolongada de fornecimento. A perda destes contratos estratégicos pode representar impacto adicional de R$ 200 a 400 milhões em receitas futuras comprometidas. Custos de Manutenção de Equipes e Estruturas: Durante período de indisponibilidade, organizações enfrentam dilema estratégico entre manutenção de equipes especializadas e estruturas administrativas versus redução de custos operacionais. A opção pela manutenção de estruturas implica custos fixos sem contrapartida de receitas, enquanto a desmobilização de equipes compromete capacidade de retomada operacional eficiente. Análise Temporal de Impactos Financeiros Fase Imediata (0-3 meses): Período caracterizado por custos emergenciais de contenção de danos, investigação de causas e planejamento de recuperação. Custos típicos incluem: consultoria especializada para avaliação de danos (R$ 2-5 milhões), manutenção de estrutura administrativa (R$ 15-25 milhões por trimestre), e gestão de relacionamento com stakeholders. Fase de Reconstrução (3-18 meses): Período de maior impacto financeiro, caracterizado por investimentos em reconstrução sem contrapartida de receitas. Além de custos diretos de reconstrução, esta fase inclui: escalation de custos devido à urgência (sobrecusto de 20-40% sobre valores normais de investimento), custos de project management especializado, e manutenção de licenças e certificações. Fase de Retomada (18-24 meses): Período de transição caracterizado por custos de comissionamento, retomada gradual de produção e recuperação de relacionamentos comerciais. Custos específicos incluem: treinamento e recertificação de equipes, testes de qualidade e certificação de produtos, campanhas de marketing para recuperação de market share. Custos Indiretos e Impactos Sistêmicos Impactos na Cadeia de Suprimentos: A interrupção de uma unidade produtiva de grande porte gera efeitos cascata em toda cadeia de suprimentos. Fornecedores de matérias-primas especializadas podem enfrentar redução significativa de demanda, enquanto prestadores de serviços logísticos experimentam ociosidade de capacidade contratada. Estes impactos frequentemente resultam em renegociação desfavorável de contratos futuros e perda de condições comerciais preferenciais. Impactos Regulatórios e de Compliance: Sinistros de grande magnitude frequentemente desencadeiam investigações regulatórias e revisões de licenciamento que podem resultar em exigências adicionais para retomada operacional. Custos associados incluem adequações normativas, auditorias de terceira parte e implementação de medidas corretivas que podem exceder significativamente investimentos originalmente planejados. Impactos Reputacionais e de Valor de Marca: Sinistros significativos podem afetar percepção de qualidade e confiabilidade de produtos, impactando valor de marca e exigindo investimentos adicionais em marketing e comunicação corporativa para recuperação de posicionamento. Estudos setoriais indicam que recuperação completa de valor de marca pode requerer investimentos de 5% a 10% do faturamento anual durante período de 2 a 3 anos. Modelagem de Cenários de Recuperação Cenário Otimista (12-15 meses de indisponibilidade): Pressupõe reconstrução eficiente com mínima escalation de custos e recuperação acelerada de market share. Perda total estimada: R$ 800 milhões a R$ 1,2 bilhão. Cenário Realístico (18-24 meses de indisponibilidade): Considera complexidades típicas de projetos de reconstrução industrial e recuperação gradual de posicionamento competitivo. Perda total estimada: R$ 1,5 bilhão a R$ 2,2 bilhões. Cenário Pessimista (24-36 meses de indisponibilidade): Contempla complicações regulatórias, dificuldades de financiamento e perda irreversível de market share. Perda total estimada: R$ 2,5 bilhões a R$ 3,5 bilhões. FUNDAMENTAÇÃO METODOLÓGICA PARA GESTÃO DE RISCOS Aplicação da Metodologia ALARP (As Low As Reasonably Practicable) A gestão eficaz de riscos em sistemas de transporte industrial demanda abordagem estruturada baseada na redução de riscos a níveis tão baixos quanto razoavelmente praticáveis. Esta metodologia pressupõe análise quantitativa de probabilidade de ocorrência, magnitude de consequências e viabilidade econômica de medidas de controle. Para o contexto específico de esteiras transportadoras em indústrias alimentícias, a aplicação da metodologia ALARP implica implementação de camadas múltiplas de proteção, englobando medidas preventivas, detectivas e corretivas. Estrutura de Controles Integrados Controles Preventivos Primários: Implementação de protocolos rigorosos de manutenção preditiva baseados em monitoramento contínuo de parâmetros operacionais críticos, incluindo temperatura, vibração e corrente elétrica. A manutenção preventiva deve ser complementada por procedimentos sistemáticos de limpeza e remoção de resíduos combustíveis. Sistemas de Detecção Avançada: Instalação de redes de sensores multidisciplinares capazes de identificar condições anômalas em estágios incipientes. Tecnologias de termografia infravermelha, detecção de gases de combustão e monitoramento de vibração devem ser integradas em sistemas de supervisão centralizados. Mecanismos de Resposta Automática: Desenvolvimento de protocolos de resposta automática que incluam parada imediata de sistemas de transporte, acionamento de sistemas de supressão e isolamento de áreas afetadas. A integração entre sistemas de detecção e controle operacional é fundamental para minimização de tempo de resposta. ESTRATÉGIAS DE MITIGAÇÃO E CONTROLE DE RISCOS Implementação de Sistemas de Supressão Especializados A proteção eficaz de esteiras transportadoras demanda sistemas de supressão especificamente projetados para este tipo de aplicação. Sistemas convencionais de sprinklers, embora adequados para proteção geral de edificações, podem apresentar limitações em cenários envolvendo equipamentos sensíveis e processos contínuos. Sistemas de nebulização de alta pressão representam alternativa tecnologicamente superior, oferecendo capacidade de supressão eficaz com menor volume de água e reduzido impacto sobre equipamentos eletrônicos. Adicionalmente, sistemas de supressão por gases inertes podem ser considerados para áreas críticas onde a presença de água poderia comprometer produtos ou equipamentos. Integração de Sistemas de Controle A interligação entre sistemas de detecção de incêndio e controles operacionais de esteiras constitui elemento crítico para minimização de danos. Esta integração deve contemplar não apenas parada automática de equipamentos, mas também procedimentos de isolamento de energia, redirecionamento de fluxos produtivos e acionamento de protocolos de emergência. A implementação de sistemas redundantes e fail-safe é fundamental para garantir confiabilidade operacional mesmo em cenários de falha parcial de componentes do sistema de proteção. CONSIDERAÇÕES SOBRE RETORNO DE INVESTIMENTO E VALOR CORPORATIVO Quantificação de Benefícios Tangíveis A análise econômica de investimentos em gestão de riscos deve contemplar não apenas custos de implementação, mas também benefícios tangíveis e intangíveis decorrentes da redução de exposições. Considerando o potencial de perdas por lucros cessantes identificado na análise anterior (R$ 1,5 a 3,5 bilhões), investimentos em sistemas integrados de proteção da ordem de R$ 50 a 80 milhões apresentam relação custo-benefício extraordinariamente favorável. Estudos setoriais demonstram que investimentos adequados em sistemas de proteção contra incêndio apresentam retorno médio de 300 a 500% ao longo de ciclos operacionais de cinco anos, considerando exclusivamente a redução de exposição a perdas diretas. Quando incorporados impactos de lucros cessantes, o retorno pode alcançar múltiplos de 15 a 25 vezes o investimento inicial. Impactos Estratégicos na Competitividade Além de benefícios econômicos diretos, a implementação de sistemas robustos de gestão de riscos contribui para fortalecimento da posição competitiva através de múltiplos vetores: redução de prêmios de seguro, melhoria em ratings de sustentabilidade corporativa, conformidade com requisitos regulatórios internacionais e fortalecimento da confiança de stakeholders. Organizações que demonstram excelência em gestão de riscos frequentemente obtêm condições mais favoráveis para financiamentos, parcerias estratégicas e expansão para mercados internacionais, onde padrões de gestão de riscos são critérios determinantes para qualificação de fornecedores. Recomendações Estratégicas para Implementação Estruturação de Programas de Gestão de Riscos A implementação eficaz de programas de gestão de riscos patrimoniais demanda abordagem sistêmica que integre aspectos técnicos, operacionais e estratégicos. Recomenda-se estruturação em fases sequenciais, iniciando com diagnósticos abrangentes de vulnerabilidades, seguidos de desenvolvimento de estratégias customizadas e implementação gradual de medidas de controle. A fase de diagnóstico deve contemplar auditorias técnicas detalhadas, análises de conformidade normativa e avaliações de adequação de sistemas existentes. Subsequentemente, o desenvolvimento de estratégias deve considerar não apenas aspectos técnicos, mas também restrições orçamentárias, cronogramas operacionais e impactos sobre processos produtivos. Estabelecimento de Governança e Monitoramento A sustentabilidade de programas de gestão de riscos requer estabelecimento de estruturas de governança adequadas, incluindo definição de responsabilidades, procedimentos de monitoramento e métricas de performance. Indicadores-chave de desempenho devem ser estabelecidos para acompanhamento contínuo da eficácia de medidas implementadas. Adicionalmente, programas de treinamento e conscientização são fundamentais para garantir aderência operacional a procedimentos estabelecidos e manutenção de cultura organizacional voltada à prevenção de riscos. Conclusão O sinistro ocorrido na indústria de achocolatados evidencia de forma inequívoca a importância crítica da gestão proativa de riscos patrimoniais em ambientes industriais complexos. A análise técnica apresentada demonstra que riscos associados a esteiras transportadoras, embora frequentemente subestimados, podem resultar em consequências catastróficas para a continuidade operacional e sustentabilidade financeira de organizações. A quantificação detalhada de impactos por lucros cessantes, revelando exposições potenciais de R$ 1,5 a 3,5 bilhões, contextualiza a magnitude dos riscos envolvidos e justifica economicamente investimentos robustos em sistemas de proteção. A relação custo-benefício extraordinariamente favorável – com retornos potenciais de 15 a 25 vezes o investimento inicial – demonstra que a gestão de riscos patrimoniais representa não apenas necessidade operacional, mas oportunidade estratégica de criação de valor. A implementação de metodologias estruturadas de gestão de riscos, contemplando sistemas integrados de prevenção, detecção e supressão, representa não apenas necessidade operacional, mas imperativo estratégico para organizações que aspiram à excelência operacional e liderança setorial. Organizações que reconhecem a gestão de riscos como investimento estratégico, ao invés de custo operacional, posicionam-se de forma diferenciada no mercado, obtendo vantagens competitivas sustentáveis através da redução de vulnerabilidades, otimização de custos operacionais e fortalecimento da confiança de stakeholders. A transformação de exposições em oportunidades constitui o diferencial competitivo das organizações líderes no cenário industrial contemporâneo. Investir em gestão de riscos patrimoniais não é opção, mas determinante fundamental para sustentabilidade e crescimento empresarial. Nota Técnica: Esta análise fundamenta-se em princípios estabelecidos de engenharia de riscos e normas técnicas reconhecidas internacionalmente. Para avaliações específicas de instalações particulares, recomenda-se consultoria especializada com profissionais habilitados em gestão de riscos patrimoniais e proteção contra incêndio.

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Da Frota à Receita Verde: Como a Descarbonização do Transporte pode Gerar Receita com Créditos de Carbono

O setor de transporte experimenta desafios no controle de emissões de gases de efeito estufa (GEE), no entanto também estão sendo geradas novas oportunidades. Empresas que investem na descarbonização de suas frotas reduzem o impacto ambiental de suas operações, mas também podem gerar receita extra com a venda de créditos de carbono. A Jornada do Crédito de Carbono: Do Combustível Fóssil à Monetização Um crédito de carbono representa a redução de uma tonelada de dióxido de carbono (CO2​) equivalente. Para gerar esses créditos, uma empresa precisa demonstrar que sua iniciativa de descarbonização é adicional, ou seja, que a redução de emissões só aconteceu por causa da sua ação. A eletrificação da frota ou a transição para biocombustíveis são possibilidades de reduzir as emissões diretas de carbono dos veículos; e uma empresa pode quantificar a quantidade de GEE que deixou de emitir. Para gerar créditos, o projeto deve estabelecer uma linha de base (baseline), que é o nível de emissões que a frota teria se continuasse usando combustíveis fósseis. A diferença entre essa linha de base e as emissões reais (nulas, no caso do veículo elétrico) se traduz em créditos de carbono. O processo de certificação segue uma metodologia rigorosa, supervisionada por padrões internacionais como o Verra (Verified Carbon Standard) ou o Gold Standard. Ambas as plataformas oferecem metodologias específicas para projetos de transporte, garantindo que as reduções de emissões sejam reais, permanentes e verificáveis. O Processo de Geração de Créditos na Prática Independentemente do caminho escolhido (eletrificação ou biocombustíveis), o processo de geração de créditos de carbono segue etapas bem definidas: Desenho do Projeto: A empresa elabora um documento detalhado, com o auxílio de consultores, descrevendo o projeto, a metodologia a ser usada e o plano de monitoramento. Validação: Um auditor independente credenciado verifica se o projeto está de acordo com as regras do padrão escolhido (Verra ou Gold Standard). Registro: Após a validação, o projeto é registrado na plataforma. Verificação: A empresa monitora e coleta dados anualmente (ou em períodos pré-determinados). Um auditor externo verifica se os dados são precisos e se as reduções de emissões foram alcançadas. Emissão e Venda: Se a verificação for aprovada, os créditos de carbono são emitidos e podem ser vendidos no mercado voluntário para empresas que desejam compensar suas próprias emissões. Conclusão: Uma Estratégia de Negócios Sustentável A descarbonização de frotas é mais do que uma tendência; é uma estratégia de negócios que alinha sustentabilidade com resultados financeiros. A capacidade de monetizar a redução de emissões por meio do mercado de carbono oferece um retorno sobre o investimento que vai além da economia de combustível, fortalecendo a reputação da empresa e atraindo investidores cada vez mais atentos às práticas de ESG (Ambiental, Social e Governança). O futuro do transporte é verde, e as empresas que agem agora terão uma vantagem competitiva significativa.

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Expansão de Data Centers e Riscos de Infraestrutura

A era da Inteligência Artificial (IA) está redefinindo os paradigmas de infraestrutura de TI, e os Data Centers estão no epicentro dessa transformação. Numa correlação intrínseca entre a expansão, o consumo crescente de energia e água, e os riscos sistêmicos. As projeções para a demanda global por data centers é reflete a digitalização crescente da economia e da sociedade, agora acelerada pela IA. A McKinsey projeta que o investimento até 2030 atingirá US$5.2 trilhões. O Imperativo Energético da Inteligência Artificial: A ascensão vertiginosa da Inteligência Artificial Generativa e de outras usos intensivos em computação está gerando demanda de energia sem precedentes, transformando radicalmente o design e a operação de Data Centers.   A correlação é direta - quanto mais avançados e poderosos os chips de IA, maior a necessidade de energia e soluções de resfriamento - introduzindo desafios complexos e interdependentes que exigem uma abordagem de gestão de riscos empresarial robusta. O que antes eram servidores web convencionais, com perfil de consumo relativamente estável, agora cedem lugar a Unidades de Processamento Gráfico e aceleradores de IA que demandam mais energia. Há vinte anos, um grande centro de dados teria 20 megawatts instalado, hoje, pode alcançar gigawatts ou mais. Antes, a área de um Data Center era majoritariamente dedicada aos próprios servidores, mas já se observa que a proporção começa a se inverter drasticamente - cerca de 70% da área útil é agora alocada a equipamentos de energia e resfriamento, incluindo geradores, UPS, painéis de distribuição, chillers e sistemas de bombeamento, inclusive de resfriamento líquido direto ao chip ou a imersão em fluidos dielétricos para manter a estabilidade operacional e a longevidade dos equipamentos. Essas instalações representam carga adicional nas redes elétricas locais, exigindo investimentos maciços em infraestrutura de transmissão e distribuição. A escolha do local torna-se um exercício complexo, onde a proximidade a subestações e a disponibilidade de terrenos adequados para estruturas de grande porte são determinantes. Riscos Associados à Interrupção de Energia:   Essa mudança sublinha a complexidade dos riscos e de engenharia necessária - não se trata apenas de computar, mas de suprir e gerenciar as condições ideais de funcionamento. Riscos Associados à Interrupção de Energia: Essa mudança sublinha a complexidade dos riscos e de engenharia - não se trata apenas de processar, mas de gerenciar as condições ideais de funcionamento.A interrupção de energia é uma das ameaças mais críticas e temidas, podendo resultar em perdas financeiras severas, danos à reputação, interrupção de serviços essenciais e degradação ou perda de dados. A confiança na era digital depende intrinsecamente de uma fonte de energia ininterrupta. Os impactos de uma falha de energia vão muito além da simples interrupção. Eles abrangem: Perdas financeiras diretas: Perda de receita de serviços, multas contratuais (SLA), custos de recuperação e reparo. Danos à reputação: Perda de confiança do cliente, publicidade negativa e impacto de longo prazo na marca. Impacto operacional: Paralisação de negócios, interrupção de cadeias de suprimentos e serviços essenciais. Perda de dados: Embora raros com sistemas de proteção adequados, blackouts severos podem causar corrupção ou perda de dados. Estratégias para Mitigar Riscos de Interrupção de Energia: A mitigação eficaz desses riscos exige uma abordagem sistêmica e redundante, incorporando os princípios de resiliência desde o design até a operação. Sistemas de Energia Ininterrupta (UPS): São a primeira linha de defesa contra quedas de energia momentâneas, fornecendo energia da bateria enquanto os geradores são acionados. O dimensionamento e manutenção são cruciais. Geradores Diesel/Gás Naturais: Essenciais para fornecer energia por longos períodos durante interrupções da rede. Devem ser testados regularmente, ter capacidade de combustível suficiente para dias de autonomia e planos de reabastecimento de emergência. A redundância (N+1, 2N) é padrão da indústria. Conexões Múltiplas à Rede Elétrica (Dual Grid Feeds): Conectar o Data Center a diferentes subestações ou linhas de transmissão da concessionária de energia, provenientes de pontos de alimentação distintos, reduz o risco de uma falha de ponto único na rede externa. Microgrids e Fontes de Energia Distribuída: A integração de fontes de energia renovável (solar, eólica) e sistemas de armazenamento de bateria (BESS - Battery Energy Storage Systems) pode criar microgrids autônomos, reduzindo a dependência da rede elétrica tradicional e aumentando a resiliência. Planejamento de Continuidade de Negócios e Recuperação de Desastres (BCDR): Além da infraestrutura física, é vital ter planos detalhados para o que fazer se uma interrupção ocorrer. Isso inclui procedimentos de desligamento seguro, planos de recuperação de dados, comunicação de crise e estratégias de failover para Data Centers secundários ou em nuvem. Manutenção Preditiva e Preventiva: Implementar programas rigorosos de manutenção para todos os componentes críticos da infraestrutura de energia (geradores, UPS, transformadores, painéis). O uso de IoT e IA para monitoramento preditivo pode antecipar falhas antes que ocorram. Auditorias e Testes de Resiliência: Realizar auditorias independentes e testes de resiliência (como simulações de falha de energia) regularmente para identificar vulnerabilidades e garantir que os sistemas funcionem conforme o esperado sob estresse. A gestão de riscos empresariais aqui se manifesta na avaliação contínua da probabilidade e do impacto de falhas, na alocação de recursos para a mitigação mais eficaz e na criação de uma cultura de resiliência em toda a organização. Recomendações para a Gestão Eficaz dos Riscos e Sustentabilidade em Data Centers Para Alfredo Chaia, a abordagem à gestão de riscos em Data Centers, especialmente no contexto da IA, deve ser sistêmica e orientada para a sustentabilidade. 1. Priorizar a Eficiência Energética e Hídrica desde o Design (PUE e WUE): 2. Otimização do PUE (Power Usage Effectiveness): Ir além do mínimo necessário. Implementar as melhores práticas de design (corredores quentes/frios, contenção de ar, free cooling) e buscar tecnologias inovadoras como resfriamento líquido ou por imersão, que podem reduzir drasticamente a necessidade de energia para resfriamento e, consequentemente, o PUE. 3. Gestão do WUE (Water Usage Effectiveness): Avaliar e otimizar o consumo de água, especialmente em sistemas de resfriamento. Considerar tecnologias que minimizem o uso de água, como resfriamento a ar em certas condições climáticas, ou o reuso de água. Em locais com escassez hídrica, priorizar sistemas de resfriamento que não dependam de água. 4. Investimento Contínuo em Tecnologias de Resfriamento Avançadas: 5. A natureza do calor gerado pelos chips de IA exige um shift para soluções como resfriamento líquido direto ao chip (Direct-to-Chip Liquid Cooling) ou sistemas de imersão (Immersion Cooling). Essas tecnologias são mais eficientes na remoção de calor de alta densidade e podem reduzir significativamente o consumo de energia e água. 6. Localização Estratégica e Diversificação de Fontes de Energia: 7. A seleção do local deve ir além da mera disponibilidade de terra. Avaliar a capacidade da rede elétrica local, a estabilidade das fontes de energia, a disponibilidade de energias renováveis e o potencial para construção de microgrids. 8. Explorar parcerias com concessionárias de energia para garantir a infraestrutura necessária e o acesso a energias limpas. Considerar a aquisição de créditos de energia renovável (RECs) ou o investimento direto em projetos de energia solar/eólica. 9. Implementação de um Framework Robusto de ERM (Enterprise Risk Management): 10. Avaliação de Riscos Sistêmica: Não apenas riscos operacionais (falha de energia), mas também riscos estratégicos (demanda não comprovada), financeiros (custos de chips, investimento de capital), regulatórios (restrições de uso de água, emissões) e de reputação. 11. Cenário Planning e Stress Testing: Desenvolver e testar cenários de falha de energia, desastres naturais, interrupções na cadeia de suprimentos e volatilidade do mercado para garantir a prontidão operacional e a adequação das estratégias de mitigação. 12. Monitoramento Contínuo e Auditoria: Utilizar plataformas de monitoramento em tempo real e realizar auditorias regulares por terceiros para garantir a conformidade com as melhores práticas de segurança e resiliência. 13. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos para Componentes Críticos: 14. Dado o custo e a escassez de chips de IA e outros componentes críticos, implementar um gerenciamento rigoroso da cadeia de suprimentos. Isso inclui a diversificação de fornecedores, a negociação de contratos de longo prazo e a manutenção de estoques de segurança para peças de reposição essenciais. 15. Colaboração com Partes Interessadas e Formulação de Políticas: 16. Engajar-se ativamente com governos, concessionárias de energia e órgãos reguladores para influenciar políticas que apoiem a construção de Data Centers sustentáveis e resilientes, incluindo incentivos fiscais para eficiência energética e o desenvolvimento de infraestrutura de rede robusta. 17. Sustentabilidade como Pilar Estratégico: 18. Incorporar os princípios de infraestrutura sustentável em todas as fases do ciclo de vida do Data Center, desde o planejamento até a operação e desativação. Isso se alinha perfeitamente com sua expertise em "Sustainable Infrastructure" e a premissa de que a infraestrutura é essencial para a qualidade de vida e o desenvolvimento socioeconômico. A busca por emissões líquidas zero e o uso responsável de recursos são não apenas uma responsabilidade corporativa, mas um imperativo de resiliência.   Conclusão A expansão dos Data Centers, impulsionada pela demanda por capacidade de IA, representa um ponto de inflexão crítico na infraestrutura global. Exige uma abordagem audaciosa e meticulosa, focada na otimização de recursos e na resiliência. A capacidade de prever, mitigar e responder a essas ameaças será o diferencial entre as organizações que prosperarão e aquelas que enfrentarão interrupções sistêmicas.

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A implementação de eventuais recomendações sugeridas não garante o cumprimento de obrigações legais, normativas ou regulatórias, sejam elas municipais, estaduais, federais ou internacionais. A decisão final sobre a contratação da apólice de seguro, adoção de medidas de controle, investimentos e estratégias de mitigação cabem exclusivamente ao cliente, que deve avaliar suas necessidades em conformidade com suas próprias políticas internas, normas aplicáveis e requisitos legais vigentes.

Em nenhuma circunstância, o atendimento pelo cliente de qualquer possível recomendação garantirá o cumprimento de suas obrigações diante contratantes ou perante a lei, nem tampouco garantirá que suas instalações estejam livres de perigos ou perdas. 

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