O Brasil consolidou sua posição no mercado global de grãos, destacando-se na produção de soja, milho, algodão, café, açúcar, suco de laranja, carne bovina e frango. Esse resultado foi alcançado através do aumento da produtividade e adoção de tecnologias avançadas.
No entanto, a liderança produtiva convive com desafios estruturais que impactam diretamente a competitividade do setor. A situação recente em Miritituba exemplifica essa realidade: o congestionamento nos arredores do porto elevou o custo do frete de soja do Mato Grosso de R$ 260 para R$ 330 por tonelada, com filas de 3 a 4 dias para embarque.
O bloqueio parcial das estações de transbordo e terminais privados impediu o embarque de 70 mil toneladas de grãos por dia, cerca US$ 30 milhões em produtos. A combinação de infraestrutura inadequada com falhas de gestão operacional transformou a rodovia federal em um estacionamento, isolando o distrito.
A reação em cadeia tem potencial para agravar o custo do transporte marítimo com multa pelo atraso no carregamento (demurrage). Na seara contratual, os desdobramentos se estendem por mais tempo.
Infraestrutura: Pesquisa CNT de Rodovias 2025 aponta melhoria geral da malha viária, com 38% dos 114 mil km em condições adequadas (33% em 2024). Contudo, os 896 pontos críticos na Região Norte ainda geram aumento de 43,1% no custo operacional do transporte.
Os números evidenciam o impacto econômico: a má qualidade do pavimento resulta em custos adicionais de R$ 7,2 bilhões anuais em consumo de diesel, enquanto acidentes geraram prejuízos de R$ 16,79 bilhões em 2024.
Perdas na agro-logística referem-se às atividades de transporte e armazenagem desde a etapa subsequente à colheita até a entrega no destino final e antes do processamento ou consumo. Consideram-se as Perdas Físicas (Quantitativas e Qualitativas), Perdas Monetárias (Diretas e Indiretas) em função de diferentes aspectos: Armazenagem, Qualidade das rodovias, Modalidade de transporte. Canal de comercialização (Exportação ou Mercado Interno), dentre outras.
O episódio evidencia que a sustentabilidade da liderança brasileira no agronegócio depende de investimentos coordenados em infraestrutura de transporte e modernização dos sistemas de gestão logística.
A eficiência da cadeia produtiva, desde a colheita até o consumo final, requer a integração de melhorias na malha rodoviária, expansão ferroviária e otimização dos processos portuários.
A redução das perdas físicas e monetárias, amplificadas por gargalos estruturais, demanda planejamento, modernização de ativos e protocolos de gestão que aumentem a previsibilidade e reduzam os custos operacionais ao longo de toda a cadeia de suprimentos.